Israelense preso pelo FBI e PF mantinha rotina discreta no Lago Sul




O israelense preso pela Polícia Federal e o FBI (o Departamento Federal de Investigação dos Estados Unidos) suspeito de administrar um site na Dark Web – zona obscura da internet – para a prática de tráfico de drogas e armas, contrabando e lavagem de dinheiro, mantinha uma rotina discreta na casa em que morava, no Lago Sul.
Tal Prihar residia na área nobre de Brasília com a mulher, também israelense, e quatro filhos pequenos. A família morava em uma casa alugada na QL 22 há cerca de um ano. O valor médio do aluguel no mesmo conjunto é R$ 10 mil. O local foi alvo de busca e apreensão, onde os agentes localizaram R$ 1 milhão em espécie, notebooks, smartphones e dispositivos utilizados para a guarda de criptomoedas. Havia dinheiro escondido até mesmo dentro de uma impressora.
A residência possui área de lazer luxuosa com piscina, churrasqueira e sauna. Apesar do conforto, o casal não costumava comprar móveis ou objetos caros. A família tinha um carro modelo SUV e contava com empregada e funcionários para cuidar da piscina e do jardim. As crianças chegaram a estudar em uma escola particular na região, mas desde o início deste ano passaram a ter aulas particulares em casa, que conta com sistema de segurança, como alarme e câmeras.
Segundo uma funcionária, que pediu para não ser identificada, eles eram “pessoas muito simples”. “Tinham aparência humilde. O casal era muito cuidadoso com os filhos. Uma vez, nos contaram que o sustento deles vinha de um site. Eu jamais poderia imaginar que ele era envolvido com qualquer tipo de crime”, contou. Ela também disse que a mulher era muito religiosa e seguia os costumes e tradições de Israel. “Fazia muitas orações e respeitava os feriados.”
Discreto, o casal evitava promover festas ou eventos no local. O pouco domínio do português também dificultava a comunicação com os vizinhos. “Ele costumava tomar uma cerveja ou vinho em casa mesmo. Estavam sempre na residência. Quando viajavam, era para Israel ou Europa. Diziam que gostavam de morar no Brasil porque o custo de vida é menor por aqui”, acrescentou outro funcionário.
Nas redes sociais, o suspeito se apresentava como sócio-administrador de uma empresa de marketing. O endereço da firma é o mesmo da residência. Ele também participa de fóruns on-line sobre segurança cibernética.

Ex-morador

Não é a primeira vez que o endereço é alvo da Polícia Federal. Em 2015, os policiais foram ao mesmo local prender o antigo morador José Dirceu. Na época, o ex-ministro cumpria prisão em regime aberto após ter sido acusado no julgamento do mensalão.


Ele deixou o imóvel vestindo uma camisa azul, calça social e terno e não foi algemado. Dois carros caracterizados da polícia entraram na garagem da casa para levá-lo.

Prisão em Paris
Na última semana, a família avisou aos funcionários que ficaria um mês fora em razão de uma viagem para Israel. Na última segunda-feira (06/05/2019), no entanto, o homem acabou preso no Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris. O investigado também é suspeito de crime de pornografia infantil.
Tal Prihar administrava um site na internet que servia como indexador dos principais mercados ilegais da dark web. O sítio eletrônico era utilizado para orientar usuários sobre a compra de produtos e drogas on-line de forma segura, oferecendo não somente os endereços, mas também diversos tutoriais para os consumidores navegarem anonimamente, evitando a repressão policial.
O portal funcionava em parceria com os maiores mercados clandestinos na dark web. O morador de Brasília era remunerado por cada transação realizada por meio do endereço eletrônico, como a distribuição de drogas, medicamentos ilegais, ferramentas hacker, dados bancários, entre outras atividades.
As investigações constataram que o israelense recebeu taxas pelas transações de cerca de 15 mil usuários, que negociaram os mais diversos produtos ilegais. Um percentual desses negócios era direcionado ao dono do site.

Deep web e dark web
Professor do Departamento de Informática da Universidade de Brasília (UnB), Jorge Fernandes diz que a dificuldade de rastreamento por parte das autoridades torna as redes obscuras da internet um terreno fértil para criminosos. Segundo o especialista, sem fiscalização, o espaço acaba sendo ocupado por bandidos, pedófilos e traficantes de drogas, armas e, até, órgãos.
Segundo o professor, a deep web é composta por um conjunto de servidores que não são indexados por mecanismos de buscas, como o Google. Por sua vez, a dark web é uma camada ainda mais profunda da rede utilizada por criminosos. “Você tem um submundo de informações e não possui mapeamento completo dele. Eles fazem assim porque gostam de se esconder.”
Jorge Fernandes explica que endereços na zona mais profunda da rede só podem ser acessados por quem conhece o caminho. “Assim como existe em qualquer grupo social, na internet também acabam criando uma estrutura de submundo.”
De acordo com o especialista, o conjunto de protocolos de acesso que os frequentadores da deep web usam dificulta o trabalho da polícia. “Até porque tem uma dificuldade de jurisdição no mundo. Por exemplo, se um computador que tem um monte de coisas ligadas ao crime está hospedado em outro país, a polícia daqui não tem como forçá-lo a sair do ar.”

Fonte: Metrópoles


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